sábado, 15 de julho de 2017

A BÍBLIA É OU CONTÉM A PALAVRA DE DEUS?

Muitos leitores veem a Bíblia apenas como uma obra prima literária humana e não como a Palavra de Deus. Outros acreditam que a Bíblia é inspirada por conter a Palavra de Deus, mas que juntamente nela também se encontram mitos, erros e lendas. A própria Bíblia esclarece que ela não é simplesmente uma literatura inspiradora como os livros de Shakespeare, Mílton, Homero ou um registro falível das palavras de Deus, mas que é a infalível Palavra de Deus (2Timóteo 3.16; 2Pedro 1.21).

A palavra inspirada, no grego theopneustos, usada em 2Timóteo 3.16, significa Deus soprou. Assim sendo, a Escritura é soprada por Deus. Pedro falou que “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2Pedro 1.21). Isto confirma que os escritores foram movidos por Deus para escrever aquilo que ele queria. Se Deus inspirou os escritos, concluímos certamente que são perfeitos e infalíveis.
A Bíblia é fruto de um trabalho que durou aproximadamente 16 séculos para ser escrita. Cerca de 40 homens santos e inspirados por Deus, foram usados para que ela chegasse a esse fabuloso compêndio, tal como conhecemos hoje. A existência da Bíblia até os nossos dias só pode ser explicada como um milagre. Pois muitos de seus autores jamais se conheceram, e mesmo tendo diferentes formações, vivendo em épocas e lugares diferentes, seus 66 livros possuem uma harmonia incontestável, nos levando a perceber, que ela tem um único autor, o Espírito Santo, aquele que inspirou os escritores originais (2 Pedro 1.20, 21). Ela sobreviveu a todos os ataques que lhe fizeram, jamais conseguiram provar qualquer erro ao longo dos séculos, pois ela é a inerrante e infalível Palavra de Deus. Porém com o surgimento do modernismo, uma ideia herética e sutil, defendida pelo filósofo racionalista Baruch Spinoza, dizia que a “Bíblia não é a palavra de Deus, mas que ela apenas contém a palavra de Deus”, ainda hoje é defendida por teólogos liberais, que tentam encontrar nas escrituras respaldo para suas heresias e inovações teológicas.
Tais teólogos negam a doutrina da inspiração plenária, expressão utilizada na teologia para enfatizar que a Bíblia é completamente inspirada por Deus.
Creditar que a Bíblia possui partes que é a palavra de Deus e outras não, é colocar a razão humana como um arbítrio sobre a revelação divina. Portanto é claro, que essa não pode ser a posição daqueles que acreditam que a Bíblia é a palavra de Deus. Para mim a Bíblia como um todo, e em todas as suas partes, é a própria Palavra de Deus, escrita pelos homens, mas organicamente inspirada pelo Espírito Santo.
Outra concepção errada acerca das Escrituras, defendida principalmente por teólogos neo-ortodoxos, como Rodolf Bultmann e Emil Brunner, é a ideia de que a “Bíblia não seria um livro inspirado, mas imperfeito, que se torna palavra de Deus, quando o leitor tem um encontro com Ele por meio de suas páginas”. No entanto, tais pressupostos não se enquadram com a ortodoxia do texto sagrado, pois Paulo o maior teólogo da história da igreja, desconstrói as bases deste tipo de ideia quando ele afirma: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça” (2 Timóteo 3.16).
No texto citado, a inspiração plenária da Bíblia é defendida pelo apóstolo dos gentios de forma explícita e categórica. Repare que no início do texto de 2 Timóteo 3.16, ele utiliza primeiramente a frase grega: pasagrafê. As mais diversas versões traduzem por “toda a escritura” e inclui o artigo definido “a”. Segundo os gramáticos está implícita aqui a ideia de integralidade, totalidade. Logo em seguida, Paulo usa a palavra “inspirada”, que no grego é theopneustos, significa soprado por Deus. Arremetendo-nos ao entendimento, que no processo de formação do cânon, Deus inspirou, supervisionou e coordenou a produção do texto original das Sagradas Escrituras.
Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, também reforçou a doutrina da inspiração plenária, se não vejamos: “Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1.20-21). Nesse texto, o autor sacro nos deixa claro que a origem da Escritura está no próprio Deus, e não em interpretações humanas. Segundo “O Novo Comentário Bíblico”, as palavras “produzida” e “inspirados” nos dão a ideia de um navio içando as velas e indo a favor do vento. Confirma o fato, de que os escritores da Bíblia, escreveram não o que queriam ou pensavam em escrever, mas o que receberam da parte de Deus.
É verdade que no âmbito da interpretação bíblica, existem dificuldades que devem ser superadas. E exige do interprete uma análise exegética apurada e meticulosa, pois sabemos que os manuscritos originais do texto bíblico, por razões não compreendidas deixaram de existir. Hoje o que existe são cópias, que atravessaram os séculos através do processo de transmissão da Bíblia. O que leva os eruditos afirmarem, que a integridade da Escritura no sentido absoluto, é atribuída aos autógrafos, isto é, os livros originais conforme foram escritos por seus autores. Pois mesmo considerando o rigoroso trabalho dos copistas, alguns “erros de cópia” são susceptíveis de ocorrer. Agostinho de Hipona afirmou, “Se estamos perplexos por causa de qualquer aparente contradição nas Escrituras, não nos é permitido dizer que o autor desse livro tenha errado; mas ou o manuscrito utilizado possuía falhas, ou a tradução está errada, ou nós não estamos entendendo o que está escrito”.
Desta forma, podemos concluir que apesar dos autores originais possuírem limitações, ao escreverem o texto sagrado, não cometeram erro algum. Pois estavam seguindo o sopro da inspiração divina, por isso eles ficaram isentos de errarem, tanto em relação à escrita, quanto a mensagem que é infalível (2 Timóteo 3.16; 2 Pedro 1.20-21).
Assim sendo, afirmamos que a Escritura, não apenas contém a Palavra de Deus, mas é a própria palavra de Deus, inerrante, infalível e poderosa, capaz de transformar o mais vil pecador em uma nova criatura (João 8.32). O autor da carta aos Hebreus declara: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hebreus 4:12 ).

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